Estes dias eu ouvi a minha filha mais nova falar: “Olha, a mãe está parecendo adolescente, não larga o telefone”. Quando eu vi estávamos em um restaurante, tínhamos acabado de chegar e eu estava respondendo algo que precisava de reposta naquele momento. Será?

E olha que aqui em casa tivemos sempre regras: nada de telefones na mesa, a hora da refeição é sagrada, nada de TV, gostamos de apreciar a comida, tanto eu quanto o meu marido adoramos cozinhar e é também é a hora de falar e ouvir. Nos almoços de domingo, quando reunimos a família, ficamos 3, 4 horas a mais discutindo, todas as opiniões são respeitadas e debatidas, buscamos através desta troca crescermos juntos.

Foto: Porapak Apichodilok/Pexels

Quando foi que me deixei levar por esta onda, esta febre de estar o tempo todo com o telefone na mão, olhando as redes sociais e respondendo as inúmeras mensagens, post, e me comunicando eletronicamente todo este tempo do meu dia? Quando foi que parei de ligar para as pessoas e usar apenas o Whatssap? Muitas vezes com recados de voz, o máximo que fazemos quando a mensagem é pessoal, mas até para a minha mãe que eu ainda ligo, antes de ligar mando uma mensagem perguntando se posso?  Que pudor é este? Tudo mudou, eu mudei.

É claro que não vou ser hipócrita e esquecer todas as vantagens que esta tecnologia nos dá. Estamos mesmo ligados , ao mesmo momento em qualquer parte do mundo nos conectarmos e podemos falar sem delay, se a banda larga for boa, eu,  vejo  a carinha da minha mãe e da minha filha mais velha que estão no Brasil e eu em Portugal quase todo dia e é maravilhoso, mas passamos mais tempo lendo, vendo do que falando.

Muitas coisas mudaram e o que temos que fazer é ficar atentos para usarmos o bom e não nos deixarmos levar  pela onda  narciso de ter que mostra o tempo todo aonde estamos, com quem, o que se  está fazendo, são tantos selfs que o olhar agora é só para a tela, já vi gente fazendo chamada de vídeo e ficar seduzida pela sua própria imagem e não olhar para o outro. Como dizia Freud o narcisismo é fruto de uma profunda solidão e insatisfação do seu próprio ser, é a incapacidade de ver o outro e o que está ao seu redor.

O que realmente importa é sermos e não mostrarmos, até porque tem coisas que são só para a gente, para um, ou para dois, não para o mundo.

Chega de máscaras chega de viver através do olhar de uma tela, vamos falar, sentir para e olhar ao redor, sentir isso é o combustível da vida, sim somos motivados alavancados, movidos por nossas emoções. Nossas emoções são energia que por sua vez movimentam o mundo.

O tempo é arte, e podemos fazer dele o que quisermos. Você é o condutor da sua vida, fique atento, eu me liguei!

Vamos então ficar atentos ao que realmente nos faz feliz, como nos vemos, como gostamos de nós, ter este compromisso com a nossa verdade sem ter que usar máscaras, mostrando ou dizendo o que somos e o que acreditamos, mas acima de tudo não permitindo deixar de ter o nosso tempo real.

Ok, que ver quem a gente gosta bem ou rir de algo é positivo, mas tudo que é demais cansa. Eu, para falar a verdade, já estou cansada de assistir Lives que não dizem nada, o mal realmente é o excesso.  Na maioria das vezes, a falar menos e temos menos vida real e mais a construídas, esteticamente bela e “feliz”.

O mais importante é perceber que nada pode tirar a nossa verdade. (Foto: Adrienne Andersen/Pexels)

Outra coisa que gostei a forma com que as pessoas foram obrigadas a deixarem a máscara cair. Durante um bom tempo não tivemos cabeleireiros, quantas mulheres da minha idade deixaram aparecer os seus fios brancos, se orgulharam deles, vi Glorinha Pires, Fafá de Belém Lúcia Veríssimo, Julia Lemmertz todas assumirem os seus branquinhos. Eu confesso que também assumi por um tempo, mas depois ensinei a Carolina a pintar a minha raiz, porque o que realmente importa é estarmos nos sentindo bem e eu prefiro castanho escuro.

O mais importante é perceber que nada pode tirar a nossa verdade, e um grande mal das redes sociais é que vendemos o que não somos, precisamos mostrar o que os outros querem ver, esta necessidade de aceitação é o maior sinônimo de fraquesa,  e solidão, pois um amigo, a família , quem te amo gosta do que você é e quer ouvir e falar contigo, quer fazer um brinde virtual, com a distância permitida, quer estar com você independente do lugar paradisíaco ou não.


Thaís de Campos

Atriz, diretora, professora, produtora, mãe, mulher e alguém que pode e quer crescer junto com você.

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