A importância dos porquês

Questionar e criar além da imaginação.

A princípio, a ideia de escrever para uma coluna semanal estava relacionada a falar sobre assuntos que estariam acontecendo naquela semana através do meu olhar. Como sou nova nisso, comecei a me encontrar a cada artigo. Entendi que o meu diferencial está em falar sobre acontecimentos diários da minha rotina – afinal, sou professora, atriz, coaching, diretora, mãe; mas não sou jornalista ou formada em letras ou escritora, ou filósofa ou psicóloga

A importância dos porquês

Foto: Acervo pessoal

O maravilhoso mundo da leitura

Como já falei anteriormente, estou dando aula para uma menina de 12 anos que iniciou o processo comigo aos 10 anos de idade, em um curso de férias no verão do Rio de Janeiro, e o sentimento pela profissão aflorou dentro dela. Aos 11 anos de idade, ela tomou a decisão de fazer aulas de coaching semanais, e o resultado tem sido surpreendente.

A cada nova aula, mais profundidade conseguimos alcançar. Busquei por livros que despertassem o interesse visual dela e lhe desse noções de mitologia de uma forma lúdica, como o livro “Aventuras de Pillar na Grécia”. Passamos por livros que tive o prazer de ler com as minhas filhas, como “O Pequeno Príncipe”, e passei a analisar personagem por personagem. Os símbolos e a profundidade das informações contidas neste brilhante texto, que independente do tempo, sempre me emociona. Consegui então, despertar na minha aluna uma vontade pelo saber além da primeira impressão e a importância de aprofundar o olhar, fazer pensar, questionar, ler e sentir as emoções.

Esse processo é delicioso, mas se contextualiza no caminho certo, quando temos o retorno, o chamado “feedback” de quem acompanha a evolução das nossas criações. Então, a mãe me disse ter achado lindo, ao terminar a aula, a sua pequena, toda contente, lhe dizer que já tinha lido o livro, mas não imaginava que ele tinha tanta profundidade, que agora via o livro de outra forma.

A importância de estarmos sempre nos questionando o porquê?

A idade dos porquês começa aos 3/4 anos e muitos pais não têm paciência para responder nesta época. Eu sempre incentivei os “porquês”!

O conhecido psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget, pioneiro no estudo dos mecanismos de desenvolvimento infantil, chama a este momento o “período pré-operatório”. Ou seja, as crianças conquistam a capacidade de criar imagens mentais sem que o objeto ou as pessoas estejam presentes.

Então a curiosidade nos leva a questionar e a criar.

Como é importante trabalharmos o nosso raciocínio, a nossa opinião e sabermos que somos capazes de criar.

As aulas presenciais já começaram aqui em Portugal e a minha filha Carol, que hoje tem 16 anos, teve a sua primeira aula nesta segunda, dia 21. De 8h às 17h, direto na sala de aula, os alunos só têm oportunidade de tirar sua atenção das matérias em dois intervalos de 20 minutos e sempre com máscaras. Ela chegou morta! Tomou banho, fez um lanche, deitou-se na cama e começamos a conversar. Inclusive, mantenho até uma certa distância dela. Sim, temos que estar atentos.

A Carol, apesar de estar muito cansada, foi me contanto o seu dia: “Gostei de tal professor, outro parece ser interessante, não gostei nada deste. E mãe, amei a professora de filosofia!”

Eu: Por  que, filha? (Aqui em casa todos gostamos dos porquês.)

Carol: Ela chegou sem livro, sem caderno, sem papel. Só com uma bolsinha aonde cabia a chave, um documento e o celular.

Eu: Ela é moderna, amor! Está com toda a matéria no telefone.

Carol: Não, mãe. Ela não usou nada e passamos 90 minutos falando de muitas coisas. Sobre arte, religião, história, atualidade, e o principal, foi que ela me deixou falar e questionar. Com isso, também consegui ver outras pessoas falando. Deu até para conhecer um pouquinho de como são algumas pessoas da minha turma.

Esta é uma turma nova, e a escola, nova também. Carol passou do ensino básico para o secundário. Está agora no 10º ano e atrasada 1 ano da idade dela, pois quando mudamos para Portugal eu não quis pressioná-la para correr atrás da turma do ano que estava no Brasil. Aqui, o ano letivo começa em setembro e no Brasil no começo do ano.

Para se adaptar a este novo mundo, ela precisaria correr com a aprendizagem e acompanhar as matérias que já tinham sido iniciadas. Eu disse: nada disso! Faça as coisas com calma e tenha o resultado ideal para a sua vida.

Mas, o que mais fiquei feliz de ouvir da minha filha, foi que nesta turma nova tinha pessoas interessantes que também questionavam como ela, pois ultimamente, o que vemos é uma geração que apenas replica. Vê sem olhos de atenção, recebe informações e já repassam sem questionar as bases, replicam nos tik toks, nas modinhas. Falta personalidade e atitude nas pessoas. Tenho para mim que os “porquês” são a base do crescimento, da comunicação, da filosofia e dos relacionamentos.

A minha base de estudo para criar os meus cursos para os atores é: Mas por que você vai falar isso? Por que você escolheu esta emoção, este sentimento como subtexto da sua personagem, por quê?

Quanto mais fundo vamos nos porquês melhor é o que fazemos.

Por isso, esta coluna tem me feito crescer tanto. Cada vez que eu questiono o “por quê” devo escrever um tema do meu cotidiano, reflito na aprendizagem que este questionamento pode levar a mim e a você para outro nível de conhecimento. Para muitos assuntos, ainda me faltam conhecimento do caminho certo a ser seguido, mas quando o questiono, evoluo mais um degrau dentro do meu conhecimento pessoal. Então, no meu caso, por que não escrever? Por que não arriscar por um caminho novo que não domino, já que isso me faz crescer e esclarece cada dia mais os meus porquês?

Que esta busca do conhecimento me acompanhe para sempre, e a você que me acompanha também. Para mim, o autoconhecimento leva ao crescimento e isso me faz bem demais. Olho para as minhas duas filhas e sei que tenho duas mulheres incríveis ao meu lado que não serão apenas pessoas copiadoras dos outros, mas farão a diferença no mundo. Como eu sei disso? Porque elas questionam o porquê. E você o que tem questionado ao seu redor?

Thaís de Campos

Atriz, diretora, professora, produtora, mãe, mulher e alguém que pode e quer crescer junto com você.

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