Atualmente, muito se fala sobre “gratidão” como se não precisássemos dizer “obrigado”.

A importancia e o peso do Obrigado thais de campos

Foto: Acervo pessoal

Essa semana foi meu aniversário e estou me sentindo tão plena de alegria pelas inúmeras mensagens que recebi, que não poderia deixar de falar: “obrigada”. Foram tantas palavras de amor, tantos obrigados, tanta gratidão, que achei que deveria dedicar esta coluna ao entendimento deste sentimento que pode ser exprimido de várias formas, mas, o mais importante, é ser praticado, independentemente da palavra ou língua.

A origem da palavra obrigado como forma de agradecimento vem do latim “obligatus”, particípio do verbo obligare, ligar, amarrar. É a forma abreviada da expressão fico-lhe obrigado, ou seja, fico ligado à você pelo favor que me fez. Quando nos tornamos devedores de outrem por serviço que nos foi prestado, criamos um elo, mesmo que momentâneo.

Já a gratidão vem do latim “gratia”, que significa literalmente graça, ou gratus, que se traduz como agradável. Significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é reconhecido. É uma emoção, que envolve um sentimento e, portanto, não há obrigações, ligações ou amarrações.

A importancia e o peso do Obrigado

Foto: Acervo pessoal

Estudos dizem que a gratidão está mais ligada à emoção, que é um sentimento ou um estado onde nos conectamos com sensações e, por isso, acaba sendo energia que gera outras energias e vibra.

Por que o obrigado também não pode ser?

Tudo para mim depende da energia que colocamos em cada palavra.

O obrigado, na verdade, passou a ser usado corriqueiramente de forma tão automática que apenas dizemos, por educação, por reconhecimento do serviço prestado, por regras que nos fazem viver bem em comunidade.

Acredito que por isso banalizamos o obrigado, o automatizamos e não empregamos energia quando o dizemos no nosso dia a dia. Mas quando alguém que lhe faz algo, que mexe com suas emoções, lhe toca, o seu obrigado vem cheio de amor. O amor é a energia mais poderosa do mundo!
É claro que as palavras também têm a sua força e o seu “peso”, se pudermos assim dizer, mas tudo depende da forma com que as falamos, proclamamos ou reclamamos.

Sim, canalizar um estado de felicidade com uma gratidão é mais fácil do que com um “obrigado”. A palavra, já por si só, nos leva, nos induz. Uma das coisas que gostei de ler nesta semana foi sobre a psicologia positiva, que nos leva, não só olhar os fatos, mesmo que simples do dia a dia, que tenham nos dado alegrias e escrevê-los em um caderno para, assim, não passarem despercebidos, como também dar uma atenção maior ao agradecimento.

Sempre que reconhecemos acontecimentos, gestos, palavras ou pequenos detalhes do cotidiano como “dignos de nota” e agradecimento, nosso cérebro reage, aumentando o nível de dopamina — neurotransmissor responsável, dentre outras funções, pela sensação de bem-estar, humor e prazer. Por consequência, quanto maior a liberação de dopamina, mais satisfeitos e felizes no sentimos.

O psicólogo Martin Seligman, por meio de seus estudos, mostrou a existência de uma relação entre a prática da gratidão e a felicidade. A gratidão, segundo ele, por ser uma emoção positiva, amplia o sentimento de bem-estar emocional. Já a professora de Psicologia, Barbara Fredrickson, aponta que, quando somos gratos, nos tornamos mais resilientes, felizes, sociáveis, saudáveis e criativos. Além disso, a gratidão nos liberta, ou, pelos menos, reduz as sensações e emoções negativas, como tristeza, dor e raiva.

Robert Emmons, PhD em Psicologia da Personalidade e autor do livro “Agradeça e seja feliz”, passou décadas estudando os efeitos da gratidão na vida das pessoas.

Em suas conclusões, pontuou vantagens na qualidade de vida daqueles que desenvolveram a gratidão como um hábito. Dentre esses benefícios, destacam:

  1. fortalecimento do sistema imunológico;
  2. redução da depressão e do estresse;
  3. maior entusiasmo, energia, otimismo e felicidade;
  4. superior qualidade de sono;
  5. despertar mais agradável e com maior disposição;
  6. diminuição da pressão arterial;
  7. vida social mais ativa e prazerosa;
  8. menor apego a emoções tóxicas, como rancores, ressentimentos, desilusões, medo e inveja;
  9. menos queixas de dores e mal-estares;
  10. redução significativa nas sensações de isolamento, inadequação e solidão.
A importância e o peso do Obrigado

Foto: Acervo pessoal

Então ao praticarmos a psicologia da gratidão, não apenas anotando em um caderninho as coisas boas do dia ou fazendo uma carta de gratidão, mas buscando estarmos no estado de gratidão, só nos fará bem, nos trará felicidade e a tão querida e procurada abundância.

Eu já estou praticando o exercício da gratidão no meu dia a dia e me sinto muito mais feliz com isso. Mas, neste artigo, senti a necessidade de não menosprezar ou diminuir o nosso bom e velho obrigado.

Dentro das coisas que vi como estudo, vi um vídeo que me marcou muito, o do professor português António Sampaio da Nóvoa que falou sobre o tratado de Gratidão de São Tomás de Aquino que diz:

“A gratidão tem 3 níveis
O nível 1 o mais superficial
É um nível mais cerebral o nível cognitivo do reconhecimento
O nível 2 o intermédio
É o nível do agradecimento, o de dar graças por algo que alguém fez por nós
O nível 3 o mais profundo
E o nível mais profundo do agradecimento é o nível do vínculo, de nós sentirmos vinculados e comprometidos com esta pessoa.”

Depois de citar o tratado de São Tomás de Aquino completou nos dizendo:

“Em inglês ou em Alemão se agradece no nível mais superficial ou intelectual da gratidão (Thank you/ Zu Danken). Na maior parte das línguas, na Europa, se agradece no nível intermediário, como na França (Merci, que quer dizer dar uma graça uma mercê) ou Espanha (Gracias), ou em italiano (Grazie), mas só em Português se agradece no terceiro nível da gratidão, onde dizer OBRIGADO significa ficar obrigado a, vinculado a, comprometido com alguém.”

Isso para mim foi de tal forma impactante que percebi que devemos dizer Gratidão a toda hora, mas obrigado a poucas pessoas, só as que realmente queremos, sim, ficar vinculados afetivamente , aos que queremos mostrar o nosso reconhecimento pelo que fizeram e dizer com isso que estarmos comprometidos em doar algo igual ou maior do que o recebido, e, tudo isso, com leveza e sem peso.

Neste caso, muito obrigada a todos os meus alunos, ao meu time do @diariodoator, ao time da coluna “O Olhar de Thaís de Campos”, ao meus amigos e a minha família, que é a coisa mais importante para mim, por tanto amor que me foi doado no dia do meu aniversário.

Thaís de Campos

Atriz, diretora, professora, produtora, mãe, mulher e alguém que pode e quer crescer junto com você.

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