Na semana passada, no @diariodoator, falamos sobre a importância de ouvir. Ouvir a natureza, ouvir o nosso corpo… Falamos das músicas que marcaram nossas vidas, as trilhas sonoras dos filmes, dos sons que nos emocionam, que nos transportam para dentro de nós ou para aquela memória tão marcante. O @diariodoator abriu um Spotify, com músicas de trilhas de novelas que fiz, de músicas que me marcaram – e nele estou compartilhando com vocês mais um pouquinho de mim, do meu sentir, que está lá também.

Escutar é um ato de amor - Thaís de Campos

Foto: Acervo pessoal

Com isso, resolvi parar para pensar a importância do ouvir o outro.

Saber ouvir é uma arte nada fácil, pois na maioria das vezes apenas ouvimos e não escutamos.

Existe uma grande diferença entre ouvir e escutar.

Hoje em dia, já temos dificuldade de ouvir. O que dirá escutar.

Temos dificuldade de ouvir, pois temos dificuldade de estarmos focados no presente, de perceber o quanto é maravilhoso estar pleno, com todos os sentidos vivenciando o presente. Mas escutar é, ainda, mais difícil, pois requer muito mais. Envolve o outro, envolve o “se dar”, por isso escutar é um ato de amor.

Ouvir é automático, é físico: ouvimos os ruídos presentes, distantes; ouvimos a televisão ligada, e enquanto acontece isso, muitas vezes, apenas ouvimos. O som entra pelos nossos ouvidos e não prestamos atenção. Estamos ouvindo, mas pensando no que é necessário comprar no supermercado amanhã, ou no boleto que temos que pagar, ou que temos que falar com o médico – enfim, ouvimos os sons, mas não escutamos.

Escutar requer atenção. Escutar não é físico; é um ato cognitivo. Eu escuto, presto atenção, meu cérebro processa e entende algo.  Por isso é tão fácil em brigas de casal ouvir:

– Você está ouvindo, mas não está me escutando!

Mas isso é tão normal e não acontece só em relações amorosas. Muitas vezes, no seu dia a dia, você ouve alguém falar algo da vida dele e logo em seguida responde algo da sua.  Você não se comunicou; você não parou para ouvir; você não perguntou ou comentou algo sobre o que aquela pessoa acabou de falar. Simplesmente usou um gancho para falar de você.

Para escutarmos, temos que parar e sair do nosso mundo para prestar atenção no outro. Olhar, procurar saber um pouco do outro, para só depois trazer a nossa experiência, se for o caso, pois as vezes temos que apenas escutar. Quantas pessoas precisam pagar um profissional para as escutarem?

O mundo está rápido e a nossa cabeça também. O nosso cérebro tem a capacidade de processar 400 palavras a cada segundo e um ser humano normalmente só consegue verbalizar mais ou menos 100.  Sim, temos que desacelerar, acalmar os impulsos que a nossa mente possa criar.  Para além de nos deixarmos de lado para escutar o outro, temos que perceber que precisamos deixar a pessoa concluir a sua história para só então fazermos algum comentário.

Se nos deixamos levar pela rapidez da nossa mente, vamos interromper com colocações antes da pessoa apresentar a sua conclusão. Às vezes com a melhor das intenções, para mostramos que estamos entendendo, gostando, torcendo. Mas não é isso que o outro quer. O outro quer apenas poder se expressar até o final! É muito chato ficar interrompendo o raciocínio de alguém o tempo todo. Nossa, como eu fiz isso, e até a muito pouco tempo atrás!

Meu marido é português e até hoje eu as vezes peço legenda, pois os portugueses falam rápido, para dentro, e comem os finais das palavras. Eu ficava tentando adivinhar o que ele dizia e falando coisas para perceber a história. E como isso o irritava.

Agora, eu fico parada, olho para ele, presto atenção. No final, eu digo o quê? Falo o que percebi e ele completa. Não está ainda de todo contente, mas menos irritado, pois estou escutando até o final. E com isso, pelo menos, ele está se trabalhando para falar um pouco mais devagar e mais articuladamente, e o meu ouvido, a minha compreensão, está cada vez melhor. Estou exercitando o meu ouvido, ou seja, tanto ele, como eu, estamos nos trabalhando.

Escutar requer prática, e para isso é preciso exercício.

Digo sempre para os meus alunos que tudo é possível, basta querer e exercitar, se dedicar. É preciso, sim, ter paciência. Aquilo que já falamos no outro artigo… Que as mudanças nunca são imediatas… Daí a importância da troca, de falarmos sobre como fazer, para onde ir, e de sabermos que todos somos humanos, cheios de errinhos.

O importante é estarmos nesta luta para a melhora pessoal. Quanto mais abrirmos os olhos para as nossas melhoras, mais leve será este processo. Melhorando a si, você reverbera: quem está do seu lado vê, sente, e também acaba influenciando o outro. Assim, você muda não só a si, muda o outro. E, consequentemente, mudamos também o todo.

Thaís de Campos

Atriz, diretora, professora, produtora, mãe, mulher e alguém que pode e quer crescer junto com você.

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